Caramba, pela primeira vez alguém fez uma crítica construtiva nos comentários.
João, estou de acordo. Que legendas michurucas eu dediquei às imagens acima. Na verdade eu também não curto muito navegar nos blogs onde o camarada apresenta uma imagem e nada, ou pouco, texto acompanhando. É tão bom saber sobre processos, descobrir opiniões, visualizar o universo de um artista e aprender com ele. Os autores das imagens e do texto(
Jung), mostrados na foto, me ensinaram muito, tanto através de suas obras quanto em entrevistas e biografias que venho lendo ou assistindo durante todos esses anos. A internet é um meio fantástico para quem, como eu, tem uma curiosidade insaciável. Eu pesquiso muito, desde a adolescência, quando os meios à disposição eram os livros e
fanzines. Aprendi a ler em espanhol, inglês e francês para saber mais, conhecer um pouco dessa
profissão que escolhi e que, apesar de centenária, ainda é muito nova. Como é a rotina de um artista japonês? Qual o prazo dado a um artista francês para completar um álbum de setenta e tantas páginas? Por quê os originais das páginas são maiores que as páginas das revistas e livros publicados? Quais os materiais usados por determinado quadrinista? Por exemplo, para esta última pergunta, entre as milhares de respostas que já vi,
Will Eisner observou: "-Notei que o pensamento geral é de que, usando os mesmos materiais, eles(os caras que perguntam sobre quais ele usa) serão capazes de fazer o mesmo que eu!".
Bom, mas essa é apenas uma das curiosidades que vocês podem encontrar por aí. Atentem para os links em vermelho.
Até!
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Spirou- Conheci esse personagem porque sou um grande admirador do desenhista
Yves Challand. Vários desenhistas já realizaram as HQ´s de Spirou, ou passaram pela revista(que, se não me engano, é uma espécie de rival da revista
TINTIN, as duas publicadas originalmente na Bélgica). O livro em questão eu encontrei no CARREFOUR ( por R$10,00!), os autores são Tome e
Janry. Os estilos variados dos desenhistas são uma atração à parte. Geralmente a
linha-clara predomina, mas aqui o desenho é remanescente do estilo do cartunista
Franquin(que vem se tornando um dos meus preferidos com seu trabalho na série IDÉES NOIRES). Franquin e
Hergé são os padrões para o quadrinho europeu dos anos 60 e 70. Dois monstros da BD que definiram dois estilos opostos de "filosofia do traço". Volto a falar sobre eles em outro post;
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Príncipe Valente- O que mais dizer à respeito dessa obra magnífica? Sobre essa edição em particular eu digo que me foi presenteada pelo amigo Elói, dono da melhor livraria de Itanhaém(onde encontrei TINTIN pela primeira vez nos anos 80). É um almanaque comemorativo dos 40 anos da tira. Saiu pela RGE em formato gigante em 1973 e contém um apanhado das várias fases do personagem, da adolescência à maturidade.
Hal Foster (Príncipe Valente) e
Alex Raymond (Flash Gordon) são os dois autores que colocaram os quadrinhos de desenho realista e histórias novelescas nas páginas de jornais de todo o mundo. Antes deles praticamente todos os quadrinhos eram cômicos.
Burne Hogarth e
Roy Crane também estão nessa lista. Hogarth não é dos meus preferidos(obviamente reconheço a importância de sua obra, principalmente em
TARZAN). Roy Crane é uma paixão. Descobri seu trabalho seguindo a rota das influências pessoais de
Milton Caniff. Sobre esses dois eu volto a falar;
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DORORO- Já contei essa história antes, mas foi em
outro blog. O primeiro gibi estrangeiro que caiu em minhas mãos foi um mangá! Ganhei uma pilha de mangás originais do Japão quando estava começando meus primeiros anos de estudo dos quadrinhos. A linguagem dos mangás faz parte da minha formação como narrador visual e, é claro,
Tezuka está entre os mestres. Minha admiração por seu trabalho cresceu muito desde então, principalmente depois de ter lido sua biografia lançada pela
CONRAD (recomendo muito). Esse livro é a primeira parte (lançada em três edições belíssimas pela editora novaiorquina
VERTICAL) da história. No final dos anos 60 os
gekigás, os mangás que tratam de assuntos mais sérios (sobre isso falo mais pra frente, estou terminando a leitura da obra de
Yoshihiro Tatsumi, um dos pais do gênero, lançada pela editora
DRAWN AND QUARTERLY, editada pelo artista
Adrian Tomine) estavam tomando de assalto a atenção dos leitores, Tezuka, sempre estimulado pela competição e auto-superação, decidiu lançar DORORO, uma história de samurais
ultra violenta e esquizóide (para os padrões de Tezuka). O resultado é mais uma de suas obras primas. Bom, Tezuka também merece um post só dele;
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FREEDOM- Outro mangaká merecedor das minhas pesquisas é
Katsuhiro Otomo. Quando admiro um artista, seja ele um quadrinista, um escultor, pintor, cantor ou outro, eu quero conhecer o máximo que puder de sua obra. Acredito que uma pessoa que se dedique a Arte, dedicará toda sua vida a esse "propósito". A obra de um verdadeiro artista é construída ao passar dos anos. Um artista não é promovido a cargos superiores. Ele vive e mostra através de sua arte o que foi aprendendo no decorrer de sua trajetória. Otomo começou ainda nos anos 70 e já nos 80 havia protagonizado momentos geniais dos mangás e animês. Estudo seu trabalho desde
AKIRA, que conheci em inúmeros formatos.
ArtBooks, mangá,
anime. Descobri posteriormente que, para mim, sua maior obra nos mangás é
DOMU. Mais pra frente falo sobre OTOMO e suas outras obras. Aqui o papo é FREEDOM. Este é o último trabalho de
seu estúdio de animação e é, curiosamente, patrocinado pela
NISSIN (há embalagens de CUPNOODLES em todo canto nos cenários). A história é bem legal, considerando que esse é um produto de merchandising, e versa, mais ou menos, sobre adolescentes num futuro distante, habitantes de uma colônia lunar. Eles acabam redescobrindo a vida num planeta Terra que há muito se pensava inabitado. Existe no ar um clima meio
SteamPunk, gênero que Otomo já havia explorado em
STEAMBOY. Esses DVDs eu consegui no paraíso dos otakus brasileiros, o
bairro da Liberdade, em
São Paulo, onde você pode encontrar muitas outras
delícias da imagem que sequer sonhamos um dia encontrar distribuídas por aqui.
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THE ILLUSION OF LIFE- Esse dispensa apresentações. É um compêndio de textos e imagens percorrendo várias fases da história dos estúdios de animação da
Disney. Abordando desde casos curiosos ocorridos com os
artistas da casa até
aspectos técnicos das produções. Eu o considero o livro perfeito para quem quer aprender desenho e animação. Comprei esse livro recentemente, mas já havia passado umas temporadas com edições emprestadas da biblioteca da
ANIMAKING, do animador e camarada Demian Rios e mais recentemente com a do
Grampá. Estou lendo o mesmo livro faz mais de cinco anos e resta muito ainda para ler e aprender. Quase seiscentas páginas de aprendizado!;
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JUNG- No dia em que o cartunista
Glauco se foi, meu mundo se estilhaçou de uma maneira violenta. Foi um choque do qual eu não me recuperarei tão cedo. Falo por mim mas sei que isso afetou muita gente. No final da tarde, depois de acontecimentos fantásticos que não me atrevo a contar aqui, resolvi finalmente começar a ler a obra do suíço
Carl Jung. Um dos problemas que adiaram essa decisão foi a extensão de sua obra. Por onde começar? Achei esse livrinho, uma bibliografia comentada por
Nise da Silveira, no sebo que fica no corredor subterrâneo da
Consolação com a
Av. Paulista. Preciso ler algumas das obras antes de tecer algum comentário, né?